quinta-feira, 24 de junho de 2010

A realidade educacional e sua relação com as media

Passada a primeira década do novo milênio, velhas promessas e velhas esperanças sentem, hoje, a necessidade de serem refeitas e realimentadas. Igualdade social, desenvolvimento sustentável, convívio pacifico entre as diferentes nações estão ainda, mais no discurso de políticos e intelectuais e dos que projetam a salvação num futuro não tão longínquo, e menos na realidade vivida por cada um de nós.
Uma das causas que pode ser apontada para explicar a permanência desse estado de coisas é sem duvida aquela que se concentra no modelo educacional vigente: defasado e fortemente pautado por interesses econômicos, que, principalmente, nos países ditos em desenvolvimento contribui para o acirramento de estruturas sociais onde o preconceito, as injustiças sociais, a exploração do homem e da natureza tomam ares de naturalidade no discurso e no imaginário das diferentes classes.
As instituições de educação formal, quer dizer, as escolas e universidades perdem cada vez mais espaço na formação do cidadão em favor de novas tecnologias e dos atrativos audiovisuais dos meios de comunicação de massa. A televisão possui atualmente maior aceitação e influência como representante do saber e da cultura, enquanto a escola fica cada vez mais relegada à idéia de disciplinadora e de arauto de informações que não condizem com a realidade.
A explicação para isso pode ser buscada através do entendimento da estrutura capitalista, em primeira instância, e no Brasil, através da conjuntura e da historicidade particular, que reflete uma gravidade acentuada do problema que estamos observando, quais não hão de ser superados sem uma ação organizada do poder público baseada no ataque ao conjunto dos diferentes aspectos do contexto socioeconômico.
Nesse texto, voltaremos, entretanto, tão-somente a um dos aspectos desse problema, anteriormente anunciado: a relação entre educação e comunicação. É mister a compreensão de que as instituições de ensino estão inseridas na estrutura da lógica de mercado e que portanto, fornece para as mais diferentes áreas recursos humanos formados num saber técnico nem sempre suficiente, e com crônicas defasagens na capacidade crítica da realidade a sua volta. A escola dessa forma perde a função que teoricamente lhe era outorgada, de fomentar no aluno a busca pelo conhecimento e de certa forma, se esconde da função de fazer o aluno aprender a aprender.
No que se refere à historicidade local, Adilson Citelli chama a atenção para o fato de que no Brasil, assim como nos outros países da América Latina, ocorreu uma passagem quase direta do plano discursivo-verbal para o meio audiovisual. “O livro, a escrita, a alfabetização – no sentido estrito do letramento – como sinônimos de todo “saber” e traço distintivo nas relações sociais não tiveram tempo de assentar-se e democratizar-se antes da entrada massiva das tecnologias das imagens e da retransmissão sonora”. Dessa forma, o rádio, na primeira metade do século XX e a televisão, posteriormente, ganharam espaço e relevância na constituição da identidade nacional e no papel de integradores do território brasileiro, fortemente difuso e multicultural. Um exemplo claro disso se reflete na importância cultural e social que o futebol alcançou. As maiores torcidas, Flamengo e Corinthians, ganharam seus adeptos justamente em função da promoção que os meios de comunicação fizeram do futebol carioca e paulista.
Respaldada nessa sacralidade de difusora do das informações, no mito do progresso que prega a inevitabilidade do crescimento tecnológico, as grandes mídias tendem a monopolizar o discurso transformando-o na única fonte de saber, numa verdade. E além disso “termina construindo uma grossa cortina de fumaça desejosa de obnubilar, quando não apagar, o festival de mazelas que marca nosso tempo: no chão duro do mundo periférico o que ainda recende com luz e força é a dor e humilhação dos excluídos.”
É nesse contexto que se insere, hoje, uma nova figura, o educomunicador: um profissional que será capaz de estabelecer uma relação entre Comunicação e Educação, visando entre outras coisas, levar para o âmbito das instituições formais de ensino uma educação que fomente no aluno a compreensão crítica dos meios de comunicação e através disso estabelecer uma relação saudável entre as novas tecnologias comunicacionais e a cultura popular, diferentemente do que se tem observado atualmente nas escolas. Destarte, será possível resgatar a importância de tais instituições como lugares de transmissão do saber e de formadoras do espírito de cidadania, tão caro a criação de uma democracia onde haja efetivamente justiça social.

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